INFÂNCIA – Graciliano Ramos em cena
Resenha concentrada em atuação, dispositivo narrativo e arquitetura sonora. Optar por Graciliano Ramos – e, mais precisamente, por Infância – é um gesto de coragem. Não se trata de prosa que “ajuda” a cena: é escrita elíptica, seca, antiespetacular, na qual o essencial vibra no fora de campo. É nesse terreno, onde tantos atores escorregariam para a declamação vazia ou a ilustração pueril, que Ney Piacentini encontra navegação. Sua voz projeta imagens: ela não “mostra”, lança quadros nítidos dent