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Críticas

102 textos

CríticaMárcio Boaro

Violência e História: A Força da Dramaturgia em A Banda Épica na Noite das Gerais

Violência e História: A Força da Dramaturgia em A Banda Épica na Noite das Gerais A Companhia do Latão mais uma vez nos presenteia com um espetáculo que alia pesquisa histórica, teatralidade e uma profunda análise política da realidade brasileira. Com A Banda Épica na NOITE DAS GERAIS, a companhia revisita a Ditadura Militar, construindo uma narrativa fragmentada, cheia de camadas, onde os personagens e a história recente do Brasil são os verdadeiros protagonistas. Foto de João Maria O elenco nu

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Resenha: “Nora e a Porta” – O Grito que Ainda Ecoa

  Resenha: “Nora e a Porta” – O Grito que Ainda Ecoa por Márcio Boaro A força de Casa de Bonecas não vem apenas de sua estrutura dramatúrgica, mas da denúncia que carrega – e que, infelizmente, segue necessária. Em Nora e a Porta, a montagem que está no  Sesc revisita a peça de Henrik Ibsen a partir de uma perspectiva contemporânea, ressaltando o incômodo que persiste: se a forma teatral evoluiu nos últimos 150 anos, a opressão patriarcal contra as mulheres continua como uma realidade estrutural

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Ópera Febril: A História do Trabalho e Seus Ecos no Presente

 Ópera Febril: A História do Trabalho e Seus Ecos no Presente Desde o título, Ópera Febril sugere um espetáculo de grande fôlego, onde “ópera” remete a “obra” e “fabril” nos conduz diretamente ao universo do trabalho. A peça, encenada pela Cia do Trailer – Teatro em Movimento, tem a direção de Marcelo Soler e André Ravasco, que também divide o palco com Andrei Gonçalves, Caren Ruaro, Laura Ramalho e Rafael Braga. A montagem nos transporta para dois momentos cruciais da exploração do trabalho no

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Magma Jagunço: A permanência da brutalidade como identidade

Magma Jagunço: A permanência da brutalidade como identidade Por Márcio Boaro. Conheço e admiro o trabalho do Tablado há muitos anos. Este coletivo realiza uma pesquisa profunda sobre a base do que deseja expressar em sua dramaturgia. Os atores são verdadeiros coautores das obras, compreendendo não apenas suas próprias personagens, mas toda a estrutura e intenção da peça que apresentam. No caso de Magma Jagunço, o diretor e dramaturgo Clayton Mariano, junto ao elenco, realizou um belíssimo trabal

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Fragmentos da Cidade: A Avenida Paulista em Cena

  Fragmentos da Cidade: A Avenida Paulista em Cena por Márcio Boaro Nasci e fui criado em São Paulo. Minha vida sempre orbitou pela Avenida Paulista, esse centro nervoso da cidade, onde se cruzam o cotidiano apressado, o trabalho exaustivo, os resquícios culturais e as manifestações políticas. Foi por isso que fiquei especialmente curioso ao saber da montagem de Avenida Paulista, dirigida por Felipe Hirsch, com codireção de Juuar. A curiosidade se intensificou pelo fato de eu não ter assistido a

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Furacão: A Voz Ancestral que Enxerga Além da Tempestade

 Furacão: A Voz Ancestral que Enxerga Além da Tempestade por Márcio Boaro A Cia Amok apresenta em Furacão um espetáculo de rara sensibilidade, no qual a força de uma mulher negra, Joséphine Linc Steelson, ressoa como um testemunho de um século de lutas e desilusões. Interpretada com beleza, leveza e potência por Sirlea e Thalyssiane Aleixo, Joséphine é uma personagem que não apenas atravessa o tempo, mas o compreende em sua profundidade, reconhecendo que as transformações sociais ocorrem, mas ne

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Resenha: “Último Ato de uma Mulher de Teatro”

 Resenha: ” Último Ato de uma Mulher de Teatro ” Por Márcio Boaro A morte é um dos temas mais recorrentes da dramaturgia, mas raras vezes é tratada com tanta leveza, humor e agulho quanto em “Jandira – Em Busca do Bonde Perdido”. Última obra escrita por Jandira Martini, a montagem não se limita a um relato sobre a finitude, mas se expande para celebrar a vida, o teatro e o próprio ofício da atriz e dramaturga. Sob a direção de Marcos Caruso, parceiro artístico de Jandira por quatro décadas, e in

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O Jardim das Cerejeiras: Entre o Cuidado Estético e a Crítica Social

 O Jardim das Cerejeiras: Entre o Cuidado Estético e a Crítica Social  Por Márcio Boaro No espaço onde Antunes Filho nos brindou por décadas com criações memoráveis, o Teatro Anchieta, no SESC Consolação, agora floresce sob as cerejeiras de Tchekhov, conduzidas pela visão sensível de Ruy Cortez e a Cia da Memória. A montagem de O Jardim das Cerejeiras não apenas encanta pela estética, mas provoca reflexões profundas sobre a decadência da aristocracia, o avanço da burguesia e a persistente invisi

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Resenha: Um Grito Parado no Ar – Teatro do Osso

Resenha: Um Grito Parado no Ar – Teatro do Osso  Por Márcio Boaro  O Teatro do Osso, sob a direção de Rogério Tarifa, ressignifica a obra clássica Um Grito Parado no Ar, de Gianfrancesco Guarnieri, e transforma o palco em um espaço de reflexão, memória e resistência. Mais do que uma releitura, o espetáculo é um mergulho profundo nas possibilidades do metateatro e na função social do teatro em tempos de crise.  Escrito durante a ditadura militar, o texto de Guarnieri já trazia uma proposta ousada

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“O Figurante” – A Poética da Invisibilidade

Na solidão de um palco nu, Mateus Solano encarna Augusto em seu primeiro monólogo, um figurante apaixonado pelo que faz, mas eternamente à margem, preso a uma existência que não lhe concede o desejo de exercer plenamente o ofício de ator. Entre sonhos e funções que parecem nunca se concretizar, Augusto luta por dignidade em um mundo que o silencia, onde cada tentativa de “ir além” é anulada pela indiferença. Há em sua jornada ecos das peças de Franz Xaver Kroetz, com suas paisagens de cotidiano

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Resenha: A sinfonia narrativa da Companhia do Latão e sua crítica ao patriarcado estrutural

Resenha: A sinfonia narrativa da Companhia do Latão e sua crítica ao patriarcado estrutural A Companhia do Latão, há quase trinta anos, mantém uma pesquisa consistente e profunda sobre linguagem cênica. O trabalho apresentado ontem no Teatro de Arena, sob a direção de Sérgio de Carvalho, revela tanto a continuidade dessa trajetória quanto um notável desenvolvimento. A dramaturgia, baseada em dois textos de Truman Capote, constrói um diálogo potente e sensível entre as histórias de duas mulheres

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O outro Borges

Na estreia de ‘O Outro Borges’, minhas expectativas já eram elevadas, considerando o tema, dramaturgo, elenco e direção. Contudo, o espetáculo não apenas as atendeu, mas as superou. Foi uma apresentação poética e bela, marcada pela harmonia excepcional entre direção e elenco. O título da peça brinca com um conceito profundamente presente na obra do escritor argentino Jorge Luis Borges: o duplo. O dramaturgo Samir Yazbek, ao escolher o conto ‘O Aleph’ como base para a peça, demonstrou uma cuidado

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Um olhar sobre as Anas, Miquitas, Coras e Outras Mulheres

  Um olhar profundo sobre a vida das mulheres proletárias é a premissa central explorada pelo núcleo Coras, pertencente ao Grupo Dolores Boca Aberta, para criar um espetáculo. Durante o processo de criação, elas se basearam em relatos pessoais, poemas de Cora Coralina, Carolina Maria de jesus, Patrícia Galvão (Pagú) e Ângela Davis, buscando capturar a essência das experiências femininas nesse contexto. No palco são quatro atrizes, acompanhadas por um músico que dá vida à trilha sonora do espetác

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Um presente que veio de Belém: O Solo Marajó

 As dimensões do Brasil foram estabelecidas (próximas das atuais) no Tratado de Madrid de 1750, oficialmente passamos a ter uma extensão continental. Era necessário algo que unisse o território além da força, em 1758 o ensino e o uso do tupi foram abolidos por lei e se instituiu o português como única língua do Brasil. Depois disto vários governos tomaram medidas para que a identidade nacional fosse parida mesmo que fosse a fórceps, isto era necessário para facilitar a administração e consequent

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Mais um presente de Shaw para as plateias atuais – O dilema do médico

 Não sou crítico, nem tenho a pretensão de sê-lo, escrevo resenhas de espetáculos, nunca críticas. Não escrevo para mim, escrevo para compartilhar com amigos e uns poucos interessados nas minhas impressões sobre um trabalho coletivo ao qual dedico a maior parte da minha vida. Posto isto, quando expresso minha opinião sobre um espetáculo tento fazer com que ela traga em seu bojo alguma reflexão pertinente, não cabe uma simples adjetivação. Um espetáculo teatral não é uma bela e suculenta fruta ma

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Águas que queimam na encruzilhada

 Ontem (dia 04/09) fui pela segunda vez assistir ao espetáculo “Águas que queimam na encruzilhada” do Teatro de Incêndio, direção de Marcelo Marcus Fonseca. Havia assistido a estreia, quis assistir novamente passadas algumas semanas. Resolvi chegar cedo, ao me aproximar do prédio percebi pelo movimento que estava lotado. Tenho costume de observar as diferentes plateias da cidade, fiquei feliz ao ver que em sua maioria era composta por jovens animados, nada pálidos, nada apáticos. Muito bom ver e

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O espetáculo “Boris” está pronto

 Assistir ao espetáculo “Bóris não está pronto” foi uma experiencia duplamente recompensadora, tanto pelo espetáculo por si, quanto por ver o desenvolvimento do trabalho do Coletivo Dolores Boca Aberta que conheço há muitos anos, mas que eu já há algum tempo não acompanhava (erro meu). Trata-se de um belíssimo espetáculo que discute a masculinidade de forma singular.  De partida o trabalho se inicia com um tema musical que para mim é um achado, uma canção que é muito popular entre os adolescente

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Um Jardim para Educar as Bestas

 As múltiplas fontes de inspiração e os múltiplos criadores da cena de “Um Jardim para Educar as Bestas” criam algo único. Trata-se de uma criação coletiva dos artistas Eduardo Okamoto, Isa Kopelman, Marcelo Onofri e da produtora criadora Daniele Sampaio estreia nacionalmente na Mit em 04 de junho, na Biblioteca Mário de Andrade. Trata-se de um duo para piano e atuação que reescreve um dos trinta e seis capítulos do livro “Homens Imprudentemente Poéticos”, de Valter Hugo Mãe: “A Lenda do Oleiro

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O mais do que nessário Papa Highirte

 Muitas vezes ao assistir a espetáculos relevantes para o momento digo que é um trabalho necessário. A montagem do Grupo Tapa para “Papa Highirte” de Oduvaldo Vianna Filho vai muito além disto. Devo começar pela importância de se trazer a público uma obra ainda pouco conhecida de um grande autor nacional. Não se trata de qualquer texto, trata-se de uma das melhores obras do dramaturgo. Vianinha é reconhecido como um dos expoentes de uma grande geração. Um autor que só não foi maior porque foi po

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Assistir Foxfinder para que não nos cacem

 Podemos falar em várias “funções” para a arte, uma das mais relevantes é utilizar a obra artística como instrumento para questionar a realidade objetiva, sendo assim o trabalho nos apresenta subsídios que nos auxiliam a vermos traços específicos de um panorama mais amplo, caso não fossem destacados estes detalhes normalmente passariam desapercebidos, mas quando nos são apresentados sob outra ótica vemos que é algo a ser pensado e se for o caso questionado. A questão seria levar a reflexão, não