Claudia Schapira

Imagem pública aprovada
Crédito: Matheus Jose Maria
A montagem nasceu de um processo pós-pandêmico em diálogo com a pesquisa continuada do coletivo que teve o texto “Os Sete Pecados Capitais dos Pequenos Burgueses”, de Bertolt Brecht como uma espécie de disparador e afunilou a cena no exercício do depoimento. Considerado o trabalho mais desafiador do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos em seus 25 anos de trajetória, o espetáculo apresenta uma dramaturgia concebida por Claudia Schapira que entrelaça memórias e desejos, transformando vozes individuais em uma narrativa coletiva. “O resultado surpreendeu e foi amadurecendo, decantando com o passar do tempo, abrindo, a cada nova temporada, frestas que renovam a encenação a partir de novos escombros de memórias”, observa a diretora. Assim, em “Hip-Hop Blues – Espólio das Águas”, a cena se constrói em fragmentos: chove, os rios transbordam e ocupam São Paulo, reivindicando seus lugares de existência. Em um espaço que remete a um galpão-teatro, artistas refletem, ensaiam e expõem os impasses do presente, em um jogo cênico que fricciona depoimento e ficção. Memorias atravessam a ágora contemporânea, revelando e confrontando estruturas como o racismo, a lgbtqia+fobia, a intolerância religiosa, a supremacia branca e patriarcal, e seus desdobramentos e impacto sobre a realidade cotidiana.
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